31 agosto 2007

Promised Land

Do alto, deu para perceber que Memphis, de fato, é uma cidade no meio do nada, o que me levou a supor que é por conta disso que ela é tão musical. Não se deve ter muita coisa para passar o tempo, pensei na hora, o negócio então é cantar.

Chegamos pontualmente às 12h30 em Memphis, a cidade fica duas horas atrás em relação ao horário oficial brasileiro. No aeroporto, veio a constatação de que amabilidade e educação existem nos Estados Unidos. Foi lá que vimos sorrisos pela primeira vez em abundância. E foi lá também que já tivemos a primeira idéia de como é forte a presença de Elvis por todos os cantos. Compramos um mapa em uma livraria (e acabamos nem usando direito por lá de tão fácil que foi andar pela cidade). Fizemos um lanche rápido e pegamos um táxi para o hotel.

Trinta dólares e uma cara feia depois (o taxista queria uma gorjeta maior além da taxa que pagamos - nos Estados Unidos em qualquer transação você paga uma taxa em cima do valor que, em Memphis, chega aos 10% quase), chegamos ao Residence Inn. E aqui deixem-me fazer um parágrafo especial sobre o hotel.

Localizado na esquina da Monroe Avenue com a Main Street, o prédio construído em 1936 é tombado, administrado pela rede de hotéis Marriot e foi o melhor local no qual fiquei hospedada. Os atendentes são todos muito gentis, atenciosos, carinhosos até (especialmente os homens), do tipo que só faltam te pegar pela mão e ir com você até onde você precisa ir. Os quartos são enormes (ficamos no 507), o nosso tinha uma cama queen size, um sofá cama king size, banheiro com banheira, uma grande escrivaninha, duas TVs, aparelho de DVD, uma mini-cozinha com fogão duas bocas, geladeira, pia, armários, liquidificador, tábua de passar roupa, torradeira, microoondas, máquina de lavar roupa, cafeteira e talheres de primeira. Se estivéssemos em um desenho animado, nosso queixo teria caído até o chão. Além disso, o acesso à Internet era GRATUITO, podíamos imprimir o que fosse e passar fax sem pagarmos nada e ainda havia disponível sucos, refrigerantes e comida congelada na recepção para compra. Recomendo para qualquer um e será meu parâmetro para hotel a partir de hoje.

Agora, voltemos a falar sobre Memphis. Eu sabia que fazia calor naquela terra nesta época do ano e todos do Elvis Insiders recomendaram levar bermudas, shorts e roupas leves, entretanto eu não fazia a menor idéia do quanto era quente. O grand eproblema é que não ventava e quando uma brisa qualquer dava o ar da graça mais parecia um bafo quente. Ou seja, é ótimo porque faz sol direto, mas a umidade quase inexiste e você precisa andar com uma garrafa d'água pra tudo quanto é canto ou você passa mal mesmo. Não é à toa que duas pessoas morreram naquela semana por causa do calor, sendo que uma delas era um adolescente de 17 anos!!!

Como algumas ruas são em subida, aí a coisa piora ainda mais. E o curioso é que a Main Street é cheia de árvores e o Rio Mississipi ficava bem pertinho da gente, mas nada disso atenuava o forte calor. Vendo a Fox News no terceiro dia nosso lá, fiquei sabendo que Memphis estava entre as cinco cidades mais quentes dos Estados Unidos naquela semana. Aí você entende porque você sente uma certa dificuldade para respirar em determinados momentos.

A outra coisa que é bem fácil de perceber em Memphis é que a quantidade de fãs de Elvis espalhados faz da cidade um lugar com ruas entupidas de gente de todos os cantos. Ruas entupidas, leia-se a Beale Street e os arredores de Graceland, porque, na verdade, eu achei a cidade bem deserta. É certo que estávamos no centro e não tão perto de Graceland (coisa de 15 minutos de táxi no máximo), mas ainda assim eu me surpreendi. Será por isso que os sinais de trânsito abrem e fecham muito rápido? Rápido do tipo que assim que abre e você começa a atravessar ele já começa a piscar dando alerta que vai fechar de novo.

Pois é, preste atenção se você for lá algum dia. E seja rápido! Se você demorar demais olhando os carrões que passam em Memphis (e como tem carrão por lá!!!), algum deles pode acabar passando por cima de você. Em nossas olhadinhas, não vimos um sequer que fosse considerado velho, nem tinham amassados e muitos eram feitos para acomodar apenas duas pessoas. Chique né? E isso porque eu nem mencionei a quantidade de limousines perambulando pelas ruas. Procuramos saber, o aluguel de uma gira em torno de 400 e 500 dólares.

Da próxima vez, quem sabe a gente não aluga uma só pra saber como é por dentro?

Falando em ruas, eu até agora to tentando entender como é que Memphis não tem lixeira na rua, mas você não vê um pedaço de papel por menor que seja no chão. Pelo menos, onde a gente ficou e nos arredores de Graceland a limpeza era total a qualquer hora do dia ou da noite. A polícia passa em carros "normais" e em carrinhos individuais. Na segunda manhã, por exemplo, uma policial parou ao nosso lado com seu carrinho engraçado (e eu me esqueci de tirar foto disso) e perguntou se estava tudo bem (estávamos no ponto do bondinho) e começou a conversar conosco, perguntando de onde éramos e dando dicas de lugares pra visitar.

Para não dizer que não vi mendigo, havia uns três caras que ficavam na outra esquina do hotel. Eles não pediam dinheiro, mas cismamos de um que vinha na mesma direção que a gente uma vez. Coincidentemente ou não, depois eles não foram mais vistos por lá. E, no último domingo meu lá, uma mulher numa super hiper mega cadeira de rodas me pediu uns trocados. Uma mulher branca, diga-se de passagem.

Nós não andamos de ônibus lá em Memphis, mas de bondinho, sim. Muito agradável. Isso, o rio lá na frente e a tranqüilidade do local, com gente tocando ao ar livre, realmente me fizeram crer que Memphis é praticamente uma cidade parada no tempo.

No tempo bom, claro.



3 Comments:

At 01 setembro, 2007, Anonymous Dea said...

Muito legal, Gil... tô BESTA com o parágrafo do hotel! Hahahahahhaha!

 
At 01 setembro, 2007, Blogger Expedito Paz said...

Se voltares a Memphis (espero que comigo junto), vc já sabe onde vai ficar:)

Dureza será achar alguma coisa parecida aqui no Brasil, por exemplo.

 
At 02 setembro, 2007, Blogger Gal said...

Gil, continue a escrever. Estou adorando. Me sinto com você lá. Aliás, você deveria escrever um livro sobre essa sua experiência! Tá demais o teu blog!!!

Beijos e namarië.

 

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