Never ending love
Eu pensava que estivesse preparada para aquela noite, mas descobri que não fazia a menor idéia do tamanho do amor e da devoção que Elvis desperta nas pessoas, mesmo depois (ou apesar de) 30 anos de sua morte.
A Elvis Presley Boulevard, interditada nos dois sentidos e pessoas de todas as idades estavam ali prestando sua homenagem e demonstrando seu sentimento em relação a ele. Não falo nem das crianças, porém havia muita gente com menos de 20 anos, gente na minha faixa etária e muitos idosos. Muitos nem andavam direito, outros já estavam em cadeira de rodas. Contudo, ninguém arredou o pé da fila que se formou logo depois da cerimônia de abertura dos portões da mansão para a vigília.
Várias emissoras dos Estados Unidos estavam lá cobrindo a vigília. Não sei como foi essa passagem histórica no Brasil, mas lá eu me sentia abençoada por poder compartilhar esse momento tão especial com gente que viajou de tudo quanto é canto desse mundo de meu Deus para fazer o mesmo que eu: apenas estar ali naquela noite reverenciando o talento, a voz, o carisma de Elvis Presley.
A gente não foi logo para a fila. Atravessamos a rua e fomos para as lojinhas e lanchonetes em frente, onde jantamos um delicioso sorvete de baunilha. Lá acabamos encontrando o pessoal que viajou com o Marcelo Costa, lá de São Paulo, e um outro que dia desses vi em vídeos do youtube. Às 23h pontualmente, eu e Marluce fomos para a fila, já que Nilma disse que aquilo era “coisa de maluco” e preferiu esperar por nós sentada.
A fila já dava sete longas voltas na rente dos muros de Graceland quando entramos o final dela.
Não acreditamos.
Duas horas depois estávamos lá e vendo a fila aumentar cada vez mais. Eu e Marluce começamos a nos revezar e convencemos Nilma a voltar pro hotel, apesar do medo dela de ir até lá sozinha com Naim. Era isso ou ela passar a noite toda ali sentada esperando por nós. E nós só iríamos sair dali quando passássemos pelo Meditation Garden e rendêssemos nossa homenagem.
A partir dali nem eu nem Marluce quisemos mais sair da fila. As velas para quem estava do lado de fora como nós foram apagadas e de lá a gente via a procissão em silêncio rumando para o túmulo de Elvis. Muitos covers podiam ser vistos na fila. A caráter. Mesmo debaixo daquele calor!!! A equipe da EPE (Elvis Presley Enterprise) distribuía água gelada em vários pontos da fila igual fazem em maratona. Reencontrei Julie e o marido dela, Andy, uma volta atrás da gente (na verdade, eles me viram e fizeram sinal). Eles são da Inglaterra e estavam hospedados no mesmo hotel que a gente. Conheci-os através do Elvis Insiders e ficamos nos correspondendo por e-mail, uma vez que iríamos ficar todos no Residence Inn.
Foi um dos poucos momentos em que abri a boca na vigília.
Às 3h da manhã, já sabia que nossa previsão inicial estava longe de se concretizar. Perto das 5h ganhamos uma vela nova e atravessamos os portões. De um lado e outro havia uma pessoa segurando uma espécie de tocha para que as velas fossem acesas, atrás delas um outro grupo fazia o papel de guardas de honra (termo utilizado para designar aqueles que passam a noite se revezando na recepção dos fãs que entram). Por ordem de Lisa Marie, todas as luzes de Graceland estavam acesas e as janelas, abertas; inclusive aquelas do andar superior.
Na subida par ao túmulo, a emoção tomou conta de mim de uma forma avassaladora. Só ouvi Elvis ao fundo e os soluções das pessoas à medida em que nos aproximávamos do Meditation Garden. Eu nem sei quando as primeiras lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto.
Eu estava lá!
Eu só pensava nisso e em todos os anos em que passei desejando estar ali.
Nada se compara à noite da Candlelight Vigil!
Foram seis horas e dez minutos na fila e, apesar de termos saído de lá exaustas, eu tinha uma tremenda sensação de paz de espírito no peito.
Marluce me confidenciou que se segurou para o coração não pifar (ela sofre de pressão alta). Já eu... bem, carregando a cadeira que comprara, por pouco não voltei para a fila para sentir tudo aquilo de novo. Os olhos vermelhos por conta do choro mal contido. Os pés e as pernas como se não tivessem sentido o efeito da longa fila. Enfim, não dá para escrever. É sentir e guardar na memória, porque do coração eu sei que esta lembrança jamais se apagará.